• Sândor Vasconcelos

Santiago a Mendoza de carro - 5 dias

Atualizado: 9 de Set de 2018


Época da minha viagem: outubro de 2014

Precisa de visto? Para brasileiros, não. Nem de passaporte, na verdade, só o RG (não aceitam CNH, certidão de nascimento, CPF...)

Procedimentos para alugar o carro: essa foi a parte chatinha da viagem. Para poder entrar na Argentina com um carro alugado no Chile é necessária uma autorização de saída, feita pela própria locadora. Por esse motivo, optei por uma empresa bem conhecida, a Hertz. A negociação pode ser feita com a filial brasileira, e após a conclusão o contato (e-mail) da filial chilena é passado apenas para envio dos dados de quem estará no carro, para que constem na autorização de saída. Fiz o negócio por telefone e aconselho, para que todas as dúvidas sejam tiradas na hora. Alugando o carro em Santiago, segundo a atendente, o cliente é obrigado a ficar pelo menos 24 horas no Chile. Essa exigência não consta na documentação recebida por mim, que me autorizava a ingressar na Argentina no mesmo dia do início da locação. Resolvi não arriscar e passei o primeiro doa em Santiago. O valor do aluguel é alto. Na época, ficou cerca de US$ 700, mais US$ 150 pelas autorizações de saída para Argentina e os pedágios entre o aeroporto Arturo Benítez, onde fiz a retirada, e Santiago (o carro que peguei tinha um dispositivo do tipo Sem Parar, cujo pagamento é feito na devolução). Para se ter uma ideia, no fim daquele mesmo ano aluguei um carro maior por 13 dias na França, também na Hertz, e paguei o mesmo valor. Por fim, a última das exigências da locadora é que o carro tem de ser devolvido em Santiago. Apesar da burocracia, valeu cada centavo, pois tive a liberdade para fazer quantas paradas quis, curtir as cidadezinhas do caminho à vontade e fazer tudo no meu ritmo. "Modo de usar" este roteiro: ele está exatamente como eu fiz. Sugiro conferir os horários (que costumam sofrer poucas alterações) e os valores (que podem mudar muito) nos links oficiais que coloquei e... boa viagem!


Dia 1 - Santiago

Vista da capital chilena

Casa Museu La Chascona

Uma das três famosas casas de Pablo Neruda, ganhador do Nobel de Literatura em 1971. O poeta mandou construir a casa para sua companheira Matilda, a quem chamava de la chascona (a descabelada).

Duração: 45 minutos (com audioguia)

Quanto: $ 7.000 pesos (preço de 2018) - veja a conversão em Reais

Horários: 10h-18h ter a dom, de março a dezembro / 10h-19h ter a dom, janeiro e fevereiro

Infos atualizadas aqui


Cerro San Cristóbal

O cerro fica muito próximo do La Chascona, fui a pé. Vale andar um pouco por lá e relaxar antes de continuar o tour. Também dá pra subir de funicular (pago - infos aqui).

Duração: livre

Quanto: entrada gratuita

Horários: 14h30-19h30 seg e ter / 12h30-19h30 qua a sex / 10h30-19h30 sáb e dom


Patio Bellavista

Nas imediações, também vale a pena passar nesse complexo muito legal de lojinhas, bares e restaurantes.

Duração: livre

Quanto: entrada gratuita

Horários: 10h-2h dom a ter / 10h-3h qua / 10h-4h qui a sáb e véspera de feriado

Infos atualizadas aqui


Museu Bellas Artes

Fica a 20 minutos a pé do Bella Vista. Visitei apenas o hall principal, por falta de tempo, mas o local é muito bem recomendado.

Duração: livre

Quanto: entrada gratuita

Horários: 10h-18h45 ter a dom

Infos atualizadas aqui


Cerro Santa Lucia

Fica quase ao lado do museu. Dá pra subir a pé ou de elevador e a vista da cidade é muito bonita.

Duração: livre

Quanto: entrada gratuita

Horários: 9h-20h de outubro a março / 9h-19h de abril a setembro

Infos atualizadas aqui


Palácio La Moneda e Praça Constitución

Após 10 minutos de caminhada cheguei à sede da presidência do Chile, um belíssimo e histórico prédio também abriga um centro cultural. A visita guiada é bem legal (fiz em 2006). Desta vez, o tour por Santiago foi rápido.

Quanto: entrada gratuita

Horários: visitas guiadas das 9h30 às 16h30, seg a sex

Infos atualizadas aqui


Praça de Armas

Mais 10 minutos de caminhada até a movimentada praça. Tenha muito, mas muito cuidado com os pertences. Há inúmeros de relatos de furtos.


Catedral de Santiago

Não deixe de entrar. Estilo barroco, linda.

Quanto: entrada gratuita

Horários: 7h-20h30

Infos atualizadas aqui


Mercado Central

Muito bonito. No fim do dia, nada melhor do que comer algo aqui, acompanhado de um pisco sour, drink supertradicional chileno, ou um belo vinho.

Quanto: entrada gratuita

Horários: 6h-17h seg a qui / 6h-20h sex / 6h-18h sáb / 6h-17h dom

Infos atualizadas aqui

Dia 2 - a rota pelos Andes

Para percorrer os cerca de 400 km de carro da capital chilena à cidade argentina, reserve o dia todo. O caminho é espetacular, cheio de paradas turísticas e não combinada nem um pouco com pressa. Importante lembrar que existem três pedágios no lado chileno, que custaram $ 6 mil pesos (em 2014). Então, tenha a moeda chilena reservada para isso. No lado argentino não há pedágio na ida, mas tem um na volta ($ 3 pesos argentinos). A seguir, os pontos de parada.


Los Caracoles

Parte da estrada formada por uma série de curvas de tirar o fôlego. Muito cuidado nesse trajeto, porque realmente as curvas são fechadas e a beleza do lugar tira completamente a atenção do motorista.


Hotel e estação de esqui Portillo e Laguna del Inca

Fica à esquerda no acostamento (atenção à placa, eu passei reto e tive que retornar). A beleza da laguna é impressionante. Almocei no restaurante do hotel, a comida era ótima e o preço não é alto. Aceitam cartão de crédito.


Cristo Redentor de Los Andes

Fica poucos quilômetros à frente da aduana chilena. O Cristo está a quase 4 mil metros acima do nível do mar e foi inaugurado em 1904. Não subi pois a pista não estava boa.


Aduana argentina

Tenha muita paciência, pois o processo de entrada na Argentina é demorado e confuso. Eu tinha todos os documentos emitidos pela Hertz, a documentação pessoal estava em ordem, mas os oficiais me pediam um papel que, segundo eles, o último pedágio chileno deveria ter dado. Eu disse que não havia recebido, o que gerou ainda mais demora. No fim preencheram o tal papel na hora e segui em frente.


Parque Aconcágua

Aqui fica o monte de mesmo nome, o mais alto da América e do Hemisfério Sul, com quase 7 mil metros. Há um um mirante, de fácil e rápido acesso, para se observar o monte.

Horários: 8h-17h30

Infos atualizadas aqui


Puente del Inca

Formação natural amarelada, sobre o rio Caves, muito bonita e curiosa. O local já abrigou um grande hotel, mas uma avalanche acabou com ele. Hoje, há um povoado ao redor, onde o pessoal vende comida, bebida e souvenirs.


• Dica de jantar em Mendoza: Azafrán Restó - comida e atendimento excelentes, com uma ótima adega onde dá pra passar um tempinho escolhendo os vinhos da noite. Faça reserva.

Dia 3 - Mendoza

Praças

Praça Independência

Fiz o tour inteiro por Mendoza a pé. É legal visitar as cinco praças da região central. A maior é a Independência, e as outras quatro (Itália, San Martin, Espanha e Chile) ficam em suas diagonais, a um quarteirão de distância. Comecei pela Itália, pois meu hotel era bem em frente. Depois segui para a bonita Independência e para a San Martin, também muito bonita. Por fim, a Espanha e a Chile.


Mercado Central

Em Mendoza, a maior parte do comércio fecha das 13h às 17h para a siesta. É bem estranho estar no centro de uma cidade importante e ver quase tudo vazio. O mercado foi a salvação do almoço, pois a praça de alimentação fica aberta.


• Deixe a sobremesa para a Sorveteria Perin, que é simplesmente sensacional! O de chocolate com passas ao rum e o doce de leite foram os meus preferidos.


Parque General San Martín

Lindo, excelente para relaxar, respirar ar puro e apreciar os roseirais. Vale muito passar o fim de tarde por lá e aproveitar para um café à beira do lago. .

Quanto: entrada gratuita

Horários: 24h


• À noite, a dica é passear pela Avenida Villanueva Aristides, repleta de opções interessantes de restaurantes e bares.

Dia 4 - tour pelas vinícolas

A região de Mendoza é a maior produtora da Argentina, corresponde atualmente por 80% do total, e é de onde sai a esmagadora maioria das exportações. Como estava com carro alugado, optei por contratar apenas o motorista (US$ 100 pelo serviço - preço de 2014). Peguei a indicação do Traslados Mendoza (https://www.facebook.com/lacavarodante2017/), o serviço foi ótimo. As reservas nas vinícolas são feitas por eles. Para quem não estiver com carro, eles têm os pacotes que incluem veículo. Eis as vinícolas visitadas:

Pulenta Estate

Localizada na região de Luján de Cuyo. As instalações são bem modernas e a equipe muito simpática e atenciosa. Primeiro fomos guiados por uma visitação bem rápida pela vinícola e depois iniciamos a ótima degustação.


Bodega La Azul

Fica em Valle de Uco. O lugar é apaixonante: pequeno, familiar e a degustação é feita com uma vista maravilhosa das montanhas. O proprietário nos levou para provar o vinho direto da barrica.


Almoço no restaurante Tupungato Divino

O pacote inclui entrada no estilo degustação (cinco tipos diferentes, todos ótimos), prato principal e sobremesa, também no formato degustação, com cinco deliciosas variedades. Tudo excelente, com uma vista maravilhosa (e com opção vegetariana). Na adega do Tupungato estão reunidos rótulos dos principais produtores da região, a bebida é cobrada à parte.


Fábrica de azeites Pasrai

O plano era fechar o dia na vinícola Achaval Ferrer, mas o almoço foi demorado e ficou tarde. O motorista sugeriu que conhecêssemos a produtora de azeite e outros derivados de azeitona. A visita é rápida e mostra o processo de produção. Depois todos vão pra sala da ótima degustação de azeite. No mesmo ambiente tem uma lojinha com os azeites, produtos de beleza, frutas secas, azeitonas, pastas de azeitonas, etc.


• De volta à cidade, no fim da tarde passei na loja Winery para comprar alguns rótulos. Impressionante a quantidade, com bons preços.

Dia 5 - volta a Santiago

A volta é a oportunidade para passar em mais alguns pontos legais do percurso. Há um pedágio no lado argentino, superbarato (em 2014, custou $ 3 pesos), mas é importante lembrar de levar uma quantidade de moeda argentina para isso. No lado chileno, há três pedágios: o primeiro não é cobrado (na ida para Mendoza, paga-se), o segundo custou $ 1.900 pesos e o terceiro foi $ 800 pesos (valores de 2014).

Destaque para o Rio Mendoza, que acompanha boa parte do caminho, e para o Rio Aconcágua, verdinho, lindo. Ambos fazem parte dos ingredientes que tornam essa rota uma das mais belas do mundo.

Represa de Potrerillos

Parando próximo ao acostamento, logo no começo da viagem, é possível ter essa bela vista.


Aduana chilena

Outra informação importante é que a aduana chilena é bastante demorada, com muita burocracia. É feita uma vistoria completa do carro e das bagagens, reviram as roupas (sujas, limpas…) e o que mais estiver na sua mala. Resumindo, são bem rigorosos.


Los Caracoles

Vale a pena parar novamente para ter uma visão diferente do conjunto de curvas na estrada.

Dicas gerais

- Leve real ou dólar e troque seu dinheiro em Santiago (mesmo os pesos argentinos) ou em Mendoza. Lá o câmbio é bem melhor do que trocar no Brasil. A maioria dos lugares em Mendoza aceita também dólares (e cartão, que tem IOF), também com cotação melhor do que no Brasil.

- Fiz câmbio no aeroporto de Santiago e, depois, em uma casa de câmbio na Rua Agustinas, no Centro, com cotação melhor. Vale lembrar que no fins de semana e fora do horário comercial a cotação é pior. - Em Santiago, muito cuidado com os pertences na Plaza de Armas. Se marcar bobeira, certamente vão te furtar, os batedores de carteira são profissionais. Em Mendoza também vale ter precaução, principalmente no centro. - Na Cordilheira, o ar é bastante rarefeito, então fica difícil respirar. - Lembre-se de carregar pesos dos dois países para a viagem entre Santiago e Mendoza. Na ida à Argentina são três pedágios no lado do Chile e na volta à capital chilena tem um na Argentina e dois no lado chileno.

Base de pesquisa do roteiro:

http://andarilhosdomundo.com.br/2011/08/guia-de-como-chegar-a-mendoza-argentina/http://www.viajenaviagem.com/2011/05/travessia-chile-argentina-com-carro-alugado-voce-ja-fez/http://www.cvc.com.br/destinos/argentina/mendoza.aspx • Vinícolas: http://www.meusroteirosdeviagem.com/2014/03/vinicolas-mendoza-argentina.html • Situação da estrada entre Santiago e Mendoza: http://www.vialidad.gov.ar

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Sândor Vasconcelos, jornalista profissional e turista amador. Resolvi juntar as duas coisas e criei o blog. Espero que os roteiros, dicas e sugestões sirvam de inspiração para muitas viagens.